Lugar de Paço de Mato

Topónimo composto. Paço, tal como referimos, deriva do latim patatiu-, com o significado de palácio. Mato, tem um sentido evidente: nome comum ``mato``, derivado impróprio de de ``mata``, que pode ter origem latina.

Sobre a origem do topónimo existem várias histórias, contadas pelos moradores do lugar. Uma delas, diz que o topónimo têm origem nos maus acessos ao lugar, que obrigava os moradores para lá chegar a ``andar passo a passo pelo mato``, outra versão diz ser o nome oriundo da existência no lugar de um paço, habitado por princesa, que sendo expulsa do reino foi obrigada a viver desterrada no mato, donde paço do mato.

Santa Cruz

Topónimo que aparece com alguma frequência, merece, no entanto, como topónimo hangionímico, um lugar à parte, atendendo ao seu carácter especial de devoção, o mesmo acontecendo com o hagiotopónimo S. Salvador.

Topónimo que surge com alguma frequência no nosso país, o seu uso, entre nós, já se documenta pelo menos em 1097 (D.M.P. I p.6). Como topónimo deste local, surge mencionada já num documento de 1188.

Vila Nova

São muito numerosos os casos toponímicos derivados do nome comum arcaico ``villa``, no sentido que tinha a palavra, isto é, ``sentido territorial demo-agrário. Qualquer tracto cultivado com algum povoamento era considerado uma ``villa`` com seu arredor, geralmente delimitado ou com termo próprio, manifestando uma cerrada ocupação e determinação do espaço.

Assim, este topónimo, usando a palavra ``villa`` no sentido territorial agrário-populacional, têm significado evidente, ou seja, a existência de uma vila nova, em oposição a uma anterior.
Como forma, já se documenta entre nós desde 960 (Dipl.p.51), bem como em 1030 8id. P. 164).

Rôge

A origem deste topónimo, ao que tudo indica, parece ser a do genitivo Rugi, derivado do antropónimo Rugus, podendo também provir do genitivo Rogi, do antropónimo Rogo, do germânico hrogo, que significa ``repouso``.

Sendo de origem germânica poderá indicar o princípio histórico desta localidade na época pré-nacional, onde existiria já um povoamento notável, ligado nas raízes à época castreja e pré-romana.
Ainda sobre a origem do nome Rôge, no ``Onomástico`` encontra-se um patronímico Rugemirizi (1085), que contém o tema Rug-, o qual parece provir do nome do povo dos Rúgius; existe também Rugido, que pode representar um nome Rug-ildus.
Förstemann cita na coluna 1283 Rugo, Rugila, Rugin, Rugolf, nomes que contém o tema Rug-. Também Rúgido se deve referir a um nome de pessoa usado na Idade Média, nome que deve ser tirado do povo Rúgido, que tal como os Visigodos, estes o povo que mais nomes deixou na nossa toponímia, eram germânicos ocidentais, precisamente da mesma zona.
Aparece ainda o nome Ruge-mirús, citado na p.296 de Kaufmann e, Rugeminizi (A. H. Zeseiro Rugemirizi-1085.), citado nos ``Diplomata e Charthe``, diploma 648, p.387, bem como no ``Onomástico``.
Deste modo tudo parece indicar que Rôge será um patronímico de origem germânica, que contém o tema Rug-, proveniente dos Rúgios, nome de um povo.
Designada desde pelo menos o século XII como S. Salvador de Rôge, documenta-se para Rôge as seguintes formas evolutivas:
• ``ipsum locum Sancti Salvatoris inter Dorio et Vacua, propor Kamina`` , ano de 994 (DC, p.104, n.169).
• ``cenobia Sancti Saluatoris de Rrogi``, ano de 1121 ( DMP IV, p.163, n.185).
• ``Sanctus Salvator de Regi (sic.), (rol. I, Mil 45).
• ``Sam Salvador de Rôge``, D. Dinis ( AH de P II.125).
• ``São Salvador de Rôge``, Séc. XIII (Livro I. 196).
• ``Ecclesiam Sancti Saluatoris de Rogi``, 1320 ( Rol. A, cfr HI II. 670).
• ``Ecclesia de Rôge`` 1371 ( BAV, Collect.112-66) e ``Ecclesia de Rôge`` (BAV, Collect. 179-102).
• ``freguesia de Rôge`` 1542 ( Cens. Mitra 404,405).
• ``igreja de Roxe`` 1547 ( Livro das Igrejas 47).

Sandiães

De origem germânica, deriva de Sandilanis, genitivo do antropónimo Sandila, do gótico Sanths, ``verdadeiro``, + o sufixo ila.

Referido por Piel e Kramer (Sandiães - Aveiro) é também citado por Förstemann (Sandiães - Macieira de Cambra). O nome deriva pois, do genitivo ``Sandilanis``, dum nome Sand-ila, sufixo frequente e característico em nomes. Por sua vez, os nomes formados a partir de Sand-, são muito comuns na Idade Média, existindo uma série de nomes formados com o elemento sand-, para uns derivado do já mencionado Sanths, ``verdadeiro``, havendo autores que preferem explicar os nomes formados por este tema, através da raiz que está no gótico Sandjan ``enviar``, com o sentido de ``mensageiro``. De qualquer modo, o facto de ter deixado numerosos reflexos na toponímia, mostra que o nome Sando deve ter sido bastante popular na época medieval.

Trebilhadouro

A Aldeia do Trebilhadouro estava abandonada. Decorre no entanto um projecto de recuperação com vista à utilização como Turismo Rural.

Diz a tradição que o nome deriva da existência no local de um tesouro, formado por três bilhas de ouro.

Fuste

Nome também de monte e de um lugar no concelho de Arouca. Deriva talvez do nome comum ``fuste``, do latim fuste, com o significado de ``acha, vara de lenha, pau``.

A. de Almeida Fernandes e Filomeno Silva colocam o problema de o nome do lugar ou povoação se dever ao monte ou o deste se dever ao do local, afirmando dada a quantidade de documentos sobre o Monte de Fuste que ``a insignificância do povoado é tal, com a frequência e predominância da designação orográfica, que tudo nos leva a admitir que a designação pertenceu inicialmente á montanha, que é dominante e vasta. O facto de haver dois lugares de Fuste em vertentes opostas do ``monte Fuste`` (ou ``de Fuste``), isto é, em Moldes (Arouca) e Rôge (Cambra), além de únicos em Portugal, confirma-nos o que atrás referimos. Daí, também, o problema da própria etimologia. A forma antiga é já a actual, Fuste- de acordo com a estrutura fonética, muito simples, do vocábulo: mas admitir o lat. Fuste (como faz o autor do DO-2, p. 680, visto que o diz ``do subst. masc. Fuste``, o que podia ser um erro cronológico, pelo menos, e só o não é por motivo estrutural fonológico) é que não parece aceitável, pois nenhuma das significações da palavra se adequa á função, ou, melhor, á motivação toponímica - nem sequer na forma do monte, que, como ficou dito, é uma vasta e estirada montanha.
Se admitíssemos a origem latina (o lat. fustis acaso já a tivesse pré-romana, *fust), talvez que o nome se devesse á frondosidade da vegetação (arbórea) na época da designação. E note-se que, sendo a outra montanha do lado oposto do vale designada Serra Seca, o contraste de sentido parece perfeitamente compreensível com a etimologia que, sob reserva propomos. Não julgamos que a arqueologia tenha que ver na designação Fuste (que é única, com duas manifestações na região da montanha - raridade de acordo com a fraqueza vocabular de tal étimo). O nome ``fuste`` significaria, pois, bosque, floresta, de árvores de grossos troncos (``fustes``), num sentido e uso muito regionais, pelo menos: um n. comum cedo perdido, explicando a sua raridade toponímica e nulidade vocabular documentada.``

Função

No Dicionário Topónimo surge como derivada do latim funetiõne-, substantivo feminino que significa função ``cumprimento ou execução: fim ou morte, e também a execução de taxa``.

Para Almeida Fernandes no entanto tal e o seu sentido não pode estar correcta. Segundo refere uma ``função`` não poderia criai e manter um topónimo. O autor inclina-se para uma interpretação e escrita erónea, Funsão por ``função``, e em Funsão vê Fonsão, genitivo em -ani do nome pessoal de origem germânica *Funsus ( do gótico funs ``valente``): ou seja, *Funsani sc ``villa`` de *Funsus(com a declinação medieval -us / -ani). É possível, mesmo, que antes da forma actual se tivesse *Fonxão, interpretado (tardiamente e mais por via erudita) Função.

Carvalheda

Topónimo derivado de ``carvalho``, é um fitotopónimo que alude à flora da região, sendo muito comum existir na toponímia vários exemplos de topónimos derivados desta palavra.

A origem da palavra ``carvalho``, embora controversa parece apontar para o pré-romano.

Casal d`Arão

Topónimo composto, é evidente o significado de ``casal`` como unidade agrária. Arão, era um nome pessoal, de origem germânica (Cortesão no Onomástico sita Aroniz-1014; Aron-907 e um Agro de Arom-1258).

Assim, o topónimo parece significar uma propriedade e o seu proprietário, ou seja a existência de um indivíduo que deixou o nome no seu casal.